18 de setembro de 2013

Encontro às Cegas - Carolina Aguirre


Título original: Ciegas a Citas
Autor: Carolina Aguirre
Lançamento: 2011
Editora: Benvirá
Páginas: 225
Lucía é uma mulher de 30 anos, com uns quilinhos a mais, que ganha pouco, mora sozinha e leva uma vida meio sem graça. Sua vida até então monótona (casa, trabalho, casa) muda radicalmente quando Irina, sua irmã mais nova – e perfeita – anuncia que irá se casar. Ela teria ficado superfeliz com a notícia, se não tivesse sido vítima de uma aposta entre sua própria mãe e irmã: convencida de que Lucía será uma solteirona, sua mãe diz que pagará toda a festa se ela aparecer no casamento acompanhada por um namorado de verdade. Morta de raiva, Lucía decide desafiar a “profecia materna”. Ela tem sete meses e meio para conseguir um namorado e está disposta a fazer qualquer coisa para isso: sair com colegas de trabalho, resgatar velhos amores, tentar encontros pela internet. Encontro às cegas é um diário de uma mulher sobre uma busca cheia de situações inacreditáveis, porém reais, emocionantes, cruéis e divertidas.

Encontro às Cegas é um chick-lit escrito em forma de diário que conta apenas com alguns poucos diálogos, sendo esses repassados como pensamentos da personagem. 

A autora argentina usou gírias e expressões de seu país, tornando Encontro às Cegas um livro com sotaque e personalidade, e esse contraste linguístico só faz com que a leitura se torne mais engraçada.

Desde que comecei  a ler já fiquei curiosa sobre como a história terminaria. Queria saber logo se Lucia iria acompanhada ao casamento de sua irmã e óbvio, quem seria o felizardo.

A autora conseguiu transmitir perfeitamente as inseguranças, medos e complexos da personagem. que em uma tentativa desesperada de calar a boca de sua mãe, se lança, "às cegas", em uma maratona de encontros, muitos desses absurdos. Nos apresentando assim uma "lista" de personagens que podem vir a se tornar  seu  futuro namorado.
Sofro de um mal: sou invisível para os homens normais. Estou condenada a que só os idiotas prestem a atenção em mim, os desagradáveis, os grotescos, os malucos, os esquizofrênicos voluntários. Nem sequer me dão bola os psicopatas e os abusados, que deveriam fazer a festa com uma insegura como eu.
Não vou dizer que o livro é um show de humor, mas sim que tem pontos muito engraçados e que me pareceram bastante realistas, mostrando os prejuízos da sociedade onde as aparências e o aspecto são de uma grande relevância.
Chegar sozinha seria colocar em evidência que estou sozinha porque as garotas como eu estão sempre sozinhas. Assumir que não é circunstancial, que não estou entre uma relação e outra, mas que estou fodida, mal da cabeça, que tenho problemas emocionais e que vou morrer sufocada debaixo de cinco gatos gordos que gritam, irritados, porque querem mais comida diet. Ir sozinha é dizer a eles que não posso controlar o meu destino. Ir sozinha é dar licença para que se acotovelem. Ir sozinha é dar a eles permissão para que sintam pena, para que me tratem como uma leprosa ou, pior ainda, para que tentem me apresentar um amigo. Ir sozinha é confirmar que minha vida não tem remédio!
Assim que você começa a ler já sente empatia por Lucia, ou pelo menos, sente apreensão pelo modo que sua mãe a trata. Com situações absurdas, ternas, engraçadas e muitas vezes tristes a autora nos leva a um final um tanto quanto inesperado, e na minha opinião, perfeito.

Para quem gosta de livros divertidos essa é uma ótima dica de leitura.

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