16 de maio de 2014

Campanha de Conscientização - Dublin Street | @LeYtoras



Esse mês a editora LeYa lançou o livro Dublin Street, da autora Samantha Young.  O livro aborda uma doença não muito conhecida: A Síndrome do Pânico. Sendo assim, a LeYtoras resolveu criar a campanha de conscientização trazendo algumas informações e esclarecimentos dessa doença.

Em 2007 eu fui diagnosticada com a Síndrome do Pânico, até esse ano eu nunca tinha ouvido falar sobre essa síndrome. Eu sempre fui uma criança nervosa e muito tímida, tinha dificuldades para fazer amigos, não gostava de mudanças, mas tudo isso sempre pareceu ser algo normal, um pedaço da minha personalidade.

Mas essas características começaram a mudar quando eu tinha aproximadamente 11 anos. A minha timidez aumentou, não queria mais sair de casa, tinha medo da noite e medo de sair sozinha. Lembro que se chegasse à noite e casa não estivesse completamente fechada e com os portões cadeados, eu não ficava tranquila. Comecei a fazer consultas com um psicologo mas ele disse que isso era uma fase e que logo passaria, mal sabia ele que isso não era verdade.

Passou mais uns dois anos e eu continuava na mesma, agara já tinha 13 anos mas meus medos não me abandonaram. Por vergonha comecei a esconder os meus medos, não falava para ninguém e muitas vezes me escondia para ter minhas crises. Eu descobri o que me levava a ter crises e comecei a evitar esses momentos. Eu sabia que se eu saísse de casa a probabilidade de eu ter uma crise era muito grande, sendo assim comecei a não sair mais de casa, evitar atender telefones - tinha pavor do telefone! -, procurava sempre estar em casa à noite e evitava lugares com muitas pessoas e barulho.


Tudo ia as mil maravilhas até que em 2007 meus pais resolveram se mudar para o litoral, a minha casa vivia cheia de visitas e quase todas as noites saim para o centro da cidade para ver shows. Sempre que podia eu dava uma desculpa e não ia, mas no carnaval desse mesmo ano, não teve desculpa que me deixasse em casa. Me levaram para um show no centro da cidade, eu nunca tinha visto tanta gente, para mim aquilo era um pesadelo. O barulho da musica junto com aquelas pessoas gritando, pulando e me esmagando, foi o suficiente para me dar uma crise. Acredito que aquela foi a pior crise de todas. A sensação era terrível, o coração dispara, a pessoa começa a suar frio, tem ânsia de vômito, dor de cabeça e a sensação de que vai morrer.   

A minha família que estava comigo nesse momento, acredito que por não ter informação suficiente, não acreditou que eu estava realmente passando mal, para eles era uma forma de eu voltar para casa. No outro dia fiz a minha mãe me levar em um médico, sim porque até aqui nem em médico eu ia sozinha, para falar a verdade eu passava mal quando me diziam que eu iria a um médico. A doutora que me atendeu, uma clínica geral, falou que era quase certo que eu tinha síndrome do pânico mas, que o certo era eu procurar um psiquiatra e fazer o diagnóstico correto. 

Sendo assim eu procurei um psiquiatra e ele confirmou o que a doutora havia dito, eu sofria de pânico. Hoje após 7 anos de tratamento, eu não tenho mais crises, mas ainda persiste o medo de que, em algum momento eu tenha uma recaída. Junto com a síndrome eu desenvolvi depressão e agorafobia, a agorafobia é justamente o medo de ter uma crise, apesar de hoje os sintomas estarem beeem mais leves eu ainda tenho medo de ir a uma festa com muita gente, a faculdade para mim é um suplicio fico me policiando a todo o momento pois morro de medo de ter uma crise na aula. Meu psiquiatra diz que tenho que controlar esse medo pois, posso ter uma crise justamente por ter medo de ter uma crise.

Com esse meu relato quero deixar um apelo para aqueles que sofrem ou conhecem alguém que sofre de pânico, pode parecer uma coisa boba mas não é. A síndrome tem que ser levada a sério e tem tratamento, não deixe agravar o quadro para procurar ajuda, sei bem como é isso porque demorei 4 anos para procurar um médico e sofri muuuito nesse período. Para quem quiser saber um pouco mais sobre o pânico, acesse o site do Dr. DrauzioVarella.

2 comentários:

  1. Que legal essa campanha de conscientização!
    Ainda existem pessoas que não acreditam em quem tem essa síndrome, e é realmente muito triste, porque dificulta o tratamento da pessoa que tá ali precisando de ajuda. Não só a síndrome do pânico, mas também a depressão, são coisas a ser levadas muito a sério!
    Muito legal mesmo essa campanha, e eu como estudante de psicologia, adorei mais ainda! É um dos assuntos que me interessam.

    Dublin Street já era um livro que me interessava antes mesmo de ser publicado aqui, com essa campanha da editora então... já ta nos desejados!

    Beijos.
    http://viciosemtres.blogspot.com.br/

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  2. Eu gostei muito dessa campanha!!! Acho que os livros nos permitem sensibilizar diante de pessoas que apresentam transtornos psicológicos ou síndromes diversas. Gostei de ver cada vez mais livros que diminuem o preconceito e ampliam a esperança das pessoas.
    Com certeza, lerei este livro também.

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