11 de outubro de 2014

Evelina - Frances Burney


Título original: Evelina
Autor: Frances Burney
Edição: 01
Ano: 2014
Editora: Pedrazul
Páginas: 388
Adicione: Skoob
Frances Burney é uma das maiores influências de Jane Austen.Neste romance, Evelina, a personagem-título é a filha não reconhecida de um dissipado aristocrata inglês e a filha adotiva de um provinciano reverendo. As circunstâncias do nascimento dessa ingênua, doce e elegante moça são um tanto nefastas e, por seu nascimento duvidoso, ela foi obrigada a viver em reclusão rural até os seus dezoito anos. Através de uma série de eventos humorísticos que acontece em Londres e na cidade turística de Bristol-Hotwells, Evelina faz sua entrada nas complexas camadas da sociedade do século XVIII. Este romance epistolar, narrado por sua heroína de mesmo nome, muitas vezes satiriza a sociedade em que ela está inserida e é um precursor importante dos trabalhos posteriores de Jane Austen, cujos romances exploram muitas das mesmas questões.

"Evelina" é o segundo romance do século XVIII que leio e apesar de ter tido uma pequena dificuldade na leitura, afinal, nós estamos falando de um livro que foi escrito à 236 anos, Fanny Burney encantou-me, principalmente com a forma com que ela representa a sociedade inglesa. Eu fico estonteada de como os livros dessa época traziam uma alegria e um humor contagiante, algo que infelizmente, sinto falta nos romances atuais. A autora tem como característica seu humor satírico, por diversas vezes o leitor irá deparar-se com cenas hilariantes que se analisadas separadamente irão parecer-se sem fundamento, mas dentro do contexto ao qual a autora escreve isso faz todo o sentido. Afinal, o que a autora está tentando expor é a teatralidade da vida social contemporânea com todos os seus rigorosos códigos de conduta e etiqueta.

Mas claro que nem tudo são flores e além da alegria temos também uma certa repressão, e claro quem mais sofria com isso no século XVIII se não as mulheres? Aqui Frances mostra como o sexo feminino é visto, elas não devem expor suas opiniões, não devem nem pensar em fazer objeções e devem aceitar as escolhas feitas para elas - na maioria das vezes feitas por homens. Essa é uma verdade terrível que Burney consegue retratar de uma forma divertida e inteligente usando sua personagem Evelina, uma jovem que foi criada longe da sociedade londrina e que agora aos 18 anos vivendo pela primeira vez na alta sociedade narra a seus entes queridos, - por meio de cartas -, suas lutas, conflitos internos e reflexões.

A ficção epistolar não se dá de forma convincente, o que antes eram apenas cartas tornam-se relatórios detalhados feitos pela heroína, no estilo de uma narrativa em primeira pessoa, e as atenções de Evelina aos seus destinatários (principalmente ao seu guardião), parecem projetadas principalmente para dar um certo ar de respeitabilidade. O que essa forma de escrever nos mostra são os insights de uma mente de uma heroína que está preparada para observar, pensar e julgar por si mesma, ao contrário das concepções que se tinham na época sobre mulheres jovens. Evelina foi criada para resistir, pelo menos até certo ponto, o papel que lhe foi imposto, por códigos sociais e costumes, mas ficamos insatisfeitos com a conclusão que o romance chega. A autora nos mostra personagens auto-engrandecedores, que acreditam que os fins justificam os meios e que para realizear seus desejos por vezes egoístas vale a pena passar por cima dos outros, principalmente das mulheres, e o fato de não haver uma punição para esses personagens nos é desestimulante. Mas se analisarmos por outro lado, essa é o fiel retrato da sociedade da época e se autora escrevesse de outra forma, seu romance não teria o impacto que teve.

Não pense você que o fato desse romance ser escrito em 1778 é um daqueles livros chatos que não valem a pena serem lidos. Muito pelo contrário, Evelina é uma história charmosa com um elevada precisão verbal e com uma escrita suave e sutil, que traz em suas páginas a dose certa de humor, situações cômicas e com um grande ponto de significância. Leitura mais que recomendada!



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