29 de julho de 2015

Eu Estive Aqui - Gayle Forman


Título original: I Was Here
Autor: Gayle Forman
Ano: 2015
Editora: Arqueiro
Páginas: 240
Adicione: Skoob
Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal? A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos. Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida. Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.

Apesar de não ter boas experiências com os livros de Gayle Forman, resolvi me aventurar no seu mais novo romance, “Eu Estive Aqui”. Já conhecendo a forma como a autora escreve, não tive grandes expectativas e acredito que isso foi algo muito positivo pois, por incrível que pareça, Gayle conseguiu me conquistar.

Cody e Meg desde sempre foram melhores amigas. Elas cresceram juntas, riram juntas e sonharam juntas. Mas o destino resolveu separá-las e Meg foi para a faculdade, enquanto Cody ficou para trás em sua cidade natal. A separação foi dolorosa para Cody: ela perdeu sua melhor amiga e ainda tinha certa raiva de Meg, afinal enquanto ela estava ali no mesmo lugar em que nasceu, sua amiga estava realizando um sonho, um sonho que era para ser das duas.

Tudo isso muda quando Meg comete suicídio, deixando sua família, Cody e seus amigos para juntar os pedaços. Ninguém entende como Meg pode fazer algo tão drástico, muito menos Cody. Quando os pais de Meg pedem para que Cody vá até a faculdade para arrumar as coisas que sua filha deixou para trás, Cody decide fazer de tudo para entender o que motivou a sua amiga a tirar a própria vida.

Embora sem ter muitos amigos, Meg foi uma pessoa marcante. Ela era aquela que todos admiravam e queriam ser, tinha uma personalidade cativante e que de alguma forma as coisas sempre aconteciam para ela. Já Cody praticamente vivia em sua sombra, embora ela nunca se ressentisse desse fato. Não até que Meg a deixou para ir à faculdade, então é aí que as fissuras começam a aparecer na amizade das duas.

Cody é aquele tipo de personagem que eu gostaria de ver mais vezes em livros, principalmente nos NA onde tudo é perfeito e todos tem dinheiro, ou encontram alguém que tenha, e assim conseguem realizar seus sonhos. Por questões financeiras ela não conseguem realizar o seu grande sonho, que é ir para a faculdade. A sua família é pobre e não tem condições de arcar com as mensalidades de uma faculdade, e ela trabalha limpando casas para conseguir juntar alguma grana, e esse com certeza não é o trabalho mais fascinante de todos. Sendo assim Cody está presa em uma cidade onde poucos tem a chance de sair. E é por isso que o fato de Meg ter ido para a faculdade foi tão importante. Por todos esses motivos Cody se tornou um personagem extremamente real.

Bem também foi um personagem muito real, não aquele tipo de cara que parece que pulou de sua imaginação, mas sim real mesmo, alguém que você poderia encontrar na vida real sem problema algum. Ele faz parte de uma banda de rock e Meg acaba se tornando sua amiga por gostar de suas músicas, e como muitas outras meninas antes dela, Ben acaba dormindo com ela. E como aconteceu com outras meninas, ela a deixou por não saber ser amigo de uma mulher. Em outro livro, Bem poderia ter sido o vilão, o cara responsável por quebrar o coração de Meg e conduzi-la para o seu fim trágico, mas não aqui. Em vez disso, ele é apenas um cara que participou dos últimos momentos da vida de Meg e que sente culpa por não ter feito algo para modificar o que aconteceu.

Mesmo tendo gostado da busca incessante de Cody para descobrir o que levou Meg a se matar, para mim o desdobramento da relação entre Ben e Cody é o ponto alto da trama. Apesar de ser um clichê do tamanho de um trem, a relação entre um roqueiro e uma garota do interior ganhou meu coração. Como não poderia ser diferente, Ben é um idiota no começo. Um daqueles caras estereotipados que por onde passam deixam vários encontros de uma noite, para quem lê NA já deve estar bem acostumado ao tipo. Mas o suicídio de Meg tocou-o de uma forma surpreendente e logo quando ele conhece a Cody, ele muda mais um pouco.

Embora o livro seja contado a partir da visão de Cody, o leitor consegue perceber a mudança do babaca do início do livro para o cara por quem Cody acaba se apaixonando. E apesar das circunstâncias esdruxulas em que eles se conheceram, eu fiquei na torcida para que eles encontrassem alguma forma de fazer com que as coisas funcionassem.

“Eu Estive Aqui”, aborda um assunto pesado, tendo como pano de fundo uma história de amizade, perda, culpa, dor e o mais importante, aprender seguir em frente. Acredito que a autora conseguiu unir as melhores qualidades de “Se Eu Ficar” e “Para Onde Ela Foi”, fazendo com que a história de Meg, Cody e Ben, fosse bela e emocionante apesar do assunto que é tratado.
Fica aqui a dica de leitura, mas esteja preparado para ler sobre o suicídio francamente e explicitamente, e se emocionar muito.


Cotação:

Um comentário:

  1. eu ja li, mas sabe aquela história que te marca que você não consegue expressar bem em palavras?
    a autora tem o poder de tratar de questões tão forte com um jeito singelo, ao mesmo tempo que trabalha sentimentos em seus personagens, desperta reações no leitor!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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