14 de março de 2016

A Indomável Sofia - Georgette Heyer


Título original: The Grand Sophy
Autor: Georgette Heyer
Editora: Record
Páginas: 406
Adicione: Skoob
Sofia Stanton-Lacy é alegre, impulsiva e de uma franqueza desconcertante, características que não combinam com o que se espera de uma mulher em sua posição na sociedade londrina do início do século XIX. Educada durante as viagens de seu pai, órfã de mãe, ela chega à casa de sua tia em Berkeley Square para derrubar as convenções e surpreender a todos com seus modos independentes e sua língua afiada. E Sophy parece ter chegado no momento certo: seus primos estão com muitos problemas. O tirânico Charles está noivo de uma jovem tão maçante quanto ele, já Cecilia está apaixonada por um poeta, e Hubert tem sérios problemas financeiros. A prima recém-chegada decide então ajudar a todos com sua determinação e impetuosidade, e acaba enfrentando agiotas, roubando os cavalos de seu primo e atirando de raspão em um honrado cavalheiro. Embora sejam sempre mirabolantes e arriscados, seus planos sempre dão certo e tudo parece estar sob seu controle. O que ela não espera, porém, é que seu primo Charles, que aparentemente não vê a hora de arrumar um marido para ela, de repente passa a enxergá-la com outros olhos...

Todo mundo sabe que eu sou louca, maluca por romances de época, sendo assim, era quase um sacrilégio eu nunca ter lido nada de Georgette Heyer. Quando eu vi que a editora Record iria lançar o livro “A Indomável Sofia”, eu achei que seria a minha oportunidade de conferir a escrita da autora. E posso dizer uma coisa? Me arrependo horrores por não ter lido nada de Georgette antes.

Sir Horace Stanton-Lacy, um honorável Diplomata, parte para Londres em seu caminho para o Brasil, parando apenas pelo tempo suficiente para preparar a sua irmã, Lady Ombersley, e sua família, para a chegada de Sophia, sua filha. Quando a magnífica Sophy chega à casa de sua tia, ela encontra a família Ombersley completamente abarrotada de problemas – sua prima Cecilia está determinada a recusar o pedido de casamento do elegível Lorde Chalbury e se casar com um poeta sem um tostão furado, seu primo Hubert, por sua vez, parece cada vez mais pensativo e arredio, o que faz com que Sophy desconfie de que ele está metido em grandes apuros.

Como se tudo isso não fosse suficiente, Charles, filho mais velho de lorde e lady Ombersley, acabou de receber uma grande herança, sendo assim, ele passou a ser o responsável pelas finanças da casa, pois seu pai é um grande jogador e apostou grande parte de sua fortuna nas mesas de jogos e acabou por se enterrar em muitas dívidas. Tendo assumido as dívidas de lorde Ombersley, Charles resolve assumir o comando da casa com mãos de ferro, para desespero de seus pais e seus irmãos.

A casa Ombersley está, de fato, cercada de problemas. E se há uma coisa que Sophy adora fazer, é resolver os problemas dos outros. Embora se você perguntar para o primo Charles, ele irá dizer que não existe problema maior do que a própria Sophy.

“A Indomável Sofia” é um livro extremamente divertido. Ele se mostrou uma ótima companhia para esse finalzinho de verão. Sophy e suas trapalhadas hilariantes – que por incrível que pareça sempre dão certo no final – mantêm a trama em um ritmo constante de deliciosa antecipação. Sem falar que Georgette Heyer consegue descrever o período Regencial com uma precisão de detalhes, fazendo com que o leitor se sinta transportado para o século XIX. O que mais me chamou a atenção é o fato de que a autora, talvez por ter vivido e escrito no início do século passado, consegue caracterizar divinamente os seus personagens de acordo com o século em que eles vivem. Aqui não há nenhuma chance de você, no meio da leitura, ser surpreendido por algum comportamento moderno por parte dos personagens. Tanto é que muitos acham que Charles é um tremendo machista, o que não deixa de ser verdade, mas era assim mesmo que os homens daquela época se comportavam.

O enredo que Heyer criou é preenchido, em sua maioria, por diálogos inteligentes e com fortes disputas verbais, sem falar nas divertidas maquinações de Sophy. Por ser um livro escrito em 1950, acreditava que encontraria uma leitura um tanto quanto lenta e desgastante, mas qual não foi a minha surpresa quando me deparei uma escrita ágil e fluída. Em nenhum momento senti que estava entediada ou que a linguagem fosse cansativa, muito pelo contrário, eu nem me dei conta do tempo quando eu estava lendo. Para terem uma ideia, eu consegui lê-lo em apenas uma tarde.

Mas, sem dúvida, a melhor parte desse livro é a própria Sophy, que é tão indomável como o próprio título já diz. Sua inteligência e a suas habilidades como casamenteira são incomparáveis, a forma com que ela desafia cada personagem, fazendo com que eles sejam obrigados a aceitarem-na do jeito que ela é, é simplesmente hilário. Sophy consegue ganhar o coração do leitor desde o momento em que ela atravessa a porta de lady Ombersley, acompanhada de um macaco, um cachorrinho e um papagaio, e ela não o libera enquanto não chega a página final. Ela consegue ser diferente de todas as heroínas das quais eu já li, e para você poder entender o porquê disso, só lendo o livro mesmo. 



Cotação:
 

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