23 de junho de 2016

A Guardiã de Histórias - Victoria Schwab


Título original: The Archived
Autor: Victoria Schwab
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 322
Adicione: Skoob
Imagine um lugar onde, como livros, os mortos repousam em prateleiras. Cada corpo tem uma história para contar, uma vida disposta em imagens que apenas os Bibliotecários podem ler. Aqui, os mortos são chamados de Histórias, e o vasto domínio em que eles descansam é o Arquivo. Mackenzie Bishop é uma implacável Guardiã, cuja tarefa é impedir Histórias geralmente violentas de acordar e fugir do Arquivo. Naqueles domínios, os mortos jamais devem ser perturbados, mas alguém parece estar, deliberadamente, alterando Histórias e apagando seus trechos essenciais. A menos que Mac consiga juntar as peças restantes, o próprio Arquivo sofrerá as consequências.

Eu sei que não deveria acumular todas essas expectativas, porque dificilmente elas são alcançadas. Mas por mais que eu diga que na próxima leitura eu irei começar com zero de expectativa, eu nunca cumpro o combinado e fico sempre imaginando como será a história e acreditando que ela irá me surpreender positivamente. Como eu disse, dificilmente as minhas expectativas são alcançadas, na maioria das vezes eu sofro uma grande decepção e acabo fazendo uma leitura bem contrariada.

Então, o que eu esperava de A Guardiã de Histórias? Não o que eu encontrei aqui, isso é certo. Logo que iniciei a leitura eu estava muito chateada porque, mais uma vez, eu pensei que a história era de um jeito e ela se mostrou algo completamente diferente. Mas todos nós sabemos que diferente nem sempre é algo ruim.

Não sei porque, mas na minha cabeça eu acreditava que o cenário onde o enredo se passa não seria o nosso mundo, sei lá, esperava um mundo fantástico, ou, pelo menos, um mundo medieval. Sim, porque dada a escolha entre o mundo real e um mundo de fantasia, não tenha dúvidas que eu irei escolher o mundo fantástico, isso é algo muito óbvio. Sendo assim, tentei deixar de lado a minha decepção e seguir levando a leitura como se nada tivesse acontecido e apenas aproveitar a leitura que eu tinha em mãos. E sabe, funcionou. Antes que me desse conta, eu estava complemente absorvida pelo mundo de Mackenzie e não poderia imaginar o cenário de outra forma a não ser essa que a autora criou.

O fato do Arquivo não ser de conhecimento geral, apenas Mackenzie e seus colegas de trabalho sabem de sua existência, não ajudou muito as coisas para mim. Não sei, mas eu não gosto quando o personagem tem que se esforçar para mentir para seus amigos e familiares. Isso é um pouco cansativo. Sem falar que esse fato faz com que Mackenzie se torne uma menina isolada, afinal ela não tem ninguém para se abrir e contar a verdadeira história de sua vida. Tudo o que as pessoas a sua volta sabem, são mentiras. Mas como sou uma pessoa contraditória, ao mesmo tempo que isso me desagradava, eu achava que era isso que dava um toque especial na trama. Sim, porque Mackenzie, apesar de seu isolamento e de uma vida nada normal para uma adolescente, ela não faz o tipo chato ou triste. Ela era algo como Buffy, vivendo a vida solitária de um assassino (e comparações com Buffy são sempre algo positivo, pelo menos eu acho!)

Então, sim, eu estava um pouco desapontada, mas ao mesmo tempo eu estava completamente amarrada no enredo da história. Eu não sei o que é, mas alguns autores são capazes de me fazer sentir uma ligação muito forte com seus personagens, mesmo eu não tendo passado mais do que algumas páginas em sua companhia. Victoria Schwab conseguiu despertar em mim um grande amor por Mackenzie, e muitas vezes eu não queria sentir isso por ela, mas era inevitável. Muitas vezes me pegava querendo entrar na história e fazer com que as coisas ficassem muito melhor para ela.

Mackenzie carrega muitas responsabilidades e dores, ela não tem apenas que manter o segredo do arquivo, ela também tem que superar a morte de seu avô e a de seu irmão. Algo que não está sendo nada fácil, pois o leitor percebe que essas mortes são como uma ferida em carne viva em seu coração. Mas ela não deixa se abater, ela não permite que sua dor, por maior que seja, a paralise ou a consuma. A sua caracterização vai muito além disso, e acho que foi isso que me ajudou a me conectar com ela e sentir junto a sua dor, em vez de desejar que ela supere isso logo e vá direto para a ação.

Mesmo eu estando um pouco apaixonada por Mackenzie, eu demorei um pouco para, realmente, entender a ideia central da trama. Logo na metade do livro eu estava preparada para dar um sólido 3, porque, mesmo eu gostando bastante dos personagens e do que estava acontecendo, eu ainda não tinha me apaixonado pela história, ela estava se mostrando apenas boa, algo agradável, mas não excepcional. Eu sentia que estava faltando alguma coisa, precisava de mais emoção e ação, aí sim o livro seria algo muito mais do que um 3. Mas então, as coisas começam a acontecer. Temos vilões, triângulos amorosos, ação, muita ação e o meu coração começou a ficar completamente apaixonado, e o que antes era um 3, rapidamente se tornou um 5.

A Guardiã de Histórias é muito mais do que um livro de fantasia, ele é um livro que, apesar de seu começo um pouco parado, é marcante e completamente viciante. Ele é como uma cebola, você precisa ir descascando suas camadas para encontrar o que realmente importa.

Para quem não sabe, eu sou a legítima garota dos personagens, não importa se são vilões ou heróis, o que importa é que eles consigam mexer com minhas emoções. E aqui nós temos um bando de personagens que conseguiram esse feito, principalmente um dos vilões. Que por sinal é o tipo mais impressionante de vilão, porque ele não é de todo ruim, pois ele possui um lado, por menor que seja, que é bom. Ele me deixou na dúvida, pois eu não saberia dizer se nas mesmas circunstâncias eu não faria o que ele fez. Com certeza Victoria Schwab sabe fazer um vilão.

A maior parte da história é contada a partir do ponto de vista de Mackenzie, no presente, mas, de vez em quando, temos algumas partes grafadas em itálico que levam o leitor ao passado, quando Da, avô de Mackenzie, ainda estava vivo. No começo eu fiquei um pouco confusa com essas partes, uma vez que elas surgem subitamente, quebrando o estilo de narrativa de Mackenzie. Mas conforme eu fui lendo, fui pegando o jeito e até gostei da forma com que a autora usou para apresentar o Arquivo. Sim, porque em vez de Victoria despejar tudo de uma vez, ela vai explicando através desses flash backs, o que realmente é o Arquivo e para que ele serve. E, além disso, ela conseguiu mostrar ao leitor a profundidade da relação de Mackenzie com seu avô, e ilustrou o quão desgastante, tanto física como emocionalmente, é ser um Guardião.

Então, o livro possui uma profundidade emocional muito grande, mas ele também possui uma boa parte de ação. O trabalho de Mackenzie como Guardiã é perigoso, e por razões misteriosas ele acaba por ficar cada vez mais perigoso ainda. Mackenzie gasta um bom tempo em uma área que é algo como um purgatório, um espaço entre o nosso mundo e o Arquivo, tentando enviar as Histórias, fantasmas no caso, de volta para o Arquivo.

Eu estava completamente sugada por suas atividades, mas eis que surge um mistério! E esse é um dos bons. Demorou um pouco para começar, admito, mas quando ele surgiu, foi justamente naquele momento em que você acredita direitinho qual é o rumo que a história vai tomar, mas do nada, você percebe que você estava errado. E, gente, ser surpreendido é tão bom!

Acho que nem preciso dizer que esse livro entrou para os meus favoritos. Nunca tinha lido nada da Victoria Schwab, mas a partir de agora virei fã assumida. Vou ficar esperando ansiosamente a continuação da série, pois o livro termina em uma parte que, gente, é necessário ler a continuação logo!

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