21 de junho de 2016

Os Pequenos Homens Livres - Terry Pratchett


Título original: The Wee Free Men
Autor: Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 304
Adicione: Skoob
Um perigo oculto, saído de pesadelos, vem trazendo uma ameaça diretamente do outro lado da realidade. Armada com tão somente uma frigideira e seu bom senso, a pequena futura bruxa Tiffany Dolorida deve defender seu lar contra fadas brutais, cavaleiros sem cabeça, cães sobrenaturais e a própria Rainha das Fadas, monarca absoluta de um mundo em que realidade e pesadelo se entrelaçam. Felizmente, ela contará com uma ajuda inesperada: os Nac Mac Feegle da região, também conhecidos como os Pequenos Homens Livres, um clã de homenzinhos azuis ferozes, ladrões de ovelhas, portadores de espadas e donos de uma altura de mais ou menos quinze centímetros. Conseguirão eles salvar as terras quentes e verdejantes de Tiffany?

Filha de criadores de ovelhas, Tiffany vem de uma família muito antiga no Giz – um lugar que parece quase congelado no tempo, imutável em suas tradições e ofícios desde tempos imemoriais. Mesmo tendo apenas nove anos, Tiffany ajuda na fazenda de laticínios, lê dicionários do início ao fim (ninguém nunca disse que ela não podia), cuida de seu grudento irmão mais novo, Wentworth, e gosta de acarinhar trutas no riacho próximo a sua fazenda em seu tempo livre. Os problemas surgem quando um outro mundo se choca com o mundo real, fazendo com que portais mágicos sejam abertos e que vários monstros invadam o mundo de Tiffany. Mas as coisas ficam realmente sérias quando seu irmão é sequestrado pela Rainha das Fadas. Para resgatá-lo, Tiffany deve ir para o mundo mágico além do portal, onde a Rainha das Fadas governa através do poder dos sonhos. Felizmente para ela, alguns aliados inesperados com um grande talento para quebrar coisas com a cabeça e que não fogem de uma boa briga, aparecem para ajudá-la. Eles são os Nac Mac Feegles, também conhecidos como Os Pequenos Homens Livres ou Pictsies.

Eles gostam de roubar, beber e lutar. Eles falam um pouco estranho e possuem nomes mais estranhos ainda. Os Pictsies podem ser uma multidão incontrolável, principalmente quando estão embriagados, mas eles são ótimos para se ter ao seu lado em uma luta. De todos o meu favorito do bando é o Wullie, pois ele nunca pensa antes de abrir a boca, fazendo com que a sua sinceridade sobre as atividades ilegais dos Pictsies, rendessem muitas risadas ao longo da leitura. Em contraste com Wullie, Tiffany têm algumas habilidades que fazem dela uma menina muito especial. Ela pensa com muito cuidado antes de falar, ela se preocupa com seu rebanho de ovelhas e seu povo, e ela também é boa com as mãos. Mas acima de tudo, ela é curiosa – o meu tipo preferido de criança, uma daquelas que estão sempre fazendo perguntas e estão sempre curiosos sobre o mundo ao seu redor. Aparentemente, essas são todas as qualificações necessárias para se tornar uma bruxa, só que ninguém quer dizer para ela onde fica a escola de bruxaria. Tudo o que ela pode fazer é olhar duro: para as pessoas, para o mundo ao seu redor e para os problemas que aparecem a sua frente.

Tiffany recebe a ajuda de outro ser mágico, um sapo falante e sarcástico, amaldiçoado por uma Fada Madrinha. Esse sapo pertence a Miss Tick, uma bruxa que tem como profissão ser professora itinerante. Os professores itinerantes andam com suas tendas por todos os lugares levando o conhecimento para os jovens em troca de alimentos.

A maior parte da história se passa no reino da Rainha das Fadas, um lugar triste, congelado, desolado e perigoso. Lá existem os Dromes, criaturas que esperam nas sombras para interceptar os visitantes e fazer com que eles mergulhem em um mundo de pesadelos, sem saber o que é real e o que é imaginário. A Rainha é a mais perigosa de todas as criaturas do Reino, mas Tiffany deve confrontá-la diretamente se ela quer resgatar seu irmão. A batalha épica de vontades entre Tiffany e a Rainha, é muito interessante, pois, por diversas vezes, podemos perceber que Tiffany tem um comportamento muito mais maduro e adulto do que a Rainha, que se mostra infantil, arrogante e deveras inconstante.

Em suma, Tiffany Dolorida é uma personagem que eu amei à primeira vista. Ela pode ser jovem, tem apenas nove anos, mas eu não senti que ela estava fora de seu personagem ou muito inteligente para a sua idade. Adorei a forma com que ela olha para o mundo, analisando e ouvindo tudo o que pode, muitas vezes passando despercebida por todos. Tiffany é uma personagem forte que consegue solucionar os seus problemas por conta própria, sem apelar para a ajuda de adultos.

Para quem gosta de uma leitura leve, engraçada e com muita fantasia, a série Tiffany Dolorida é uma ótima pedida.

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