A Verdade Sobre Amores e Duques - Laura Lee Guhrke

Título original: The Truth About Love and Dukes
Autor: Laura Lee Guhrke
Editora: Harlequin
Páginas: 320
Adicione: Skoob
Cotação: ★★★★☆
Está sofrendo a dor de um amor não correspondido? Está confuso com o comportamento inexplicável do sexo oposto? Sente que não há ninguém a quem possa recorrer em busca de compreensão e aconselhamento? Não tema. Lady Truelove o ajudará. Henry Cavanaugh, duque de Torquil, anseia por uma vida ordenada e previsível. Mas era impossível com a família que tinha. Apenas a mãe facilitava a sua vida... até ela se apaixonar por um artista e decidir seguir o conselho amoroso de lady Truelove, largando tudo para seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que deu aquele conselho imprudente o ajude a impedir que o nome da sua família acabe na lama. Irene Deverill é o que a sociedade londrina considera uma ovelha negra: dirige o jornal da família, é uma solteirona e tem orgulho disso! Mas ninguém sabe que ela possui um grande problema nas mãos: o duque de Torquil demanda que ela o ajude a resolver os problemas da sua família. Esse relacionamento forçado fará Irene descobrir que Henry é mais do que um "lírio do campo" e que ele é capaz de despertar nela sentimentos que nunca pensou possuir.

Irene Deverill é uma mulher à frente de seu tempo. Tendo um pai doente e que não consegue ficar longe das garrafas de conhaque, sobra para ela a tarefa de reerguer o jornal da família. É aí que ela cria o Society Snnipets, um jornal com enfoque nas fofocas das grandes famílias londrinas. Dentro de seu jornal existe a coluna de Lady Truelove, onde a colunista dá conselhos amorosos aos seus leitores. Após Lady Truelove responder uma carta de uma senhora de alta posição social, Irene sabia que teria grandes problemas, só não imaginava que seriam tão sérios.

Henry Cavanaugh, Duque de Torquil, fica lívido quando lendo seu  jornal matinal, depara-se com a carta de uma lady, que só pode ser sua mãe, pedindo conselhos amorosos à Lady Truelove. Se isso já não fosse ultrajante suficiente, a duquesa viúva resolve seguir o conselhado dado e fugir com seu amante italiano. Para Torquil a culpa disso tudo é da famosa mexeriqueira, sendo assim, ele parte em busca de Lady Truelove para que ela convença sua mãe a não cometer tão desvairada tolice.  Só que Henry não contava que a mulher por trás da coluna de conselhos fosse alguém tão linda e com a boca tão sem freios.

A atração que Henry sente por Irene é imediata, mas acostumado a manter seus sentimentos sob controle, ele nada demonstra. Ele sabe que o que está sentindo é algo impossível. Irene é uma mulher de classe média, uma trabalhadora e, ainda por cima, dona de um jornal que ofendeu mais da metade de Londres. Já por parte de Irene a única coisa que ela consegue sentir é raiva. Torquil é pomposo e extremamente controlador. Nada pode sair fora do seu planejado e todos devem seguir suas ordens sem pestanejar.

Passando por cima de Irene, Henry vai até o senhor Deverill e oferece a ele a chance de ingressar suas duas filhas, Clara e Irene, na sociedade, além de se oferecer para comprar o jornal da família. Irene fica possessa quando descobre que seu pai aceitou vender seu amado jornal, mas Torquil informa a ela que, para a compra não ser concretizada, ela deve passar duas semanas em sua casa e convencer a duquesa a não seguir o conselho de Lady Truelove.

Discutir com Henry tópicos progressistas como o sufrágio feminino e as mudanças políticas a favor da classe média reforça brevemente a crença de Irene de que a nobreza está ultrapassada.  No entanto, passar um tempo em sua casa e ver Torquil interagir com sua família lentamente mostra o outro lado do homem que Irene está começando a achar muito atraente. Para Henry, a linha entre seu desejo por Irene e seu dever para com a sua família e seu título é muito claramente traçada. Por mais que ele respeite Irene por sua independência e caráter forte, ele não pode ignorar que eles vivem em mundos diferentes. Suas ideologias contrastantes parecem destinadas a separá-los e, no entanto, os sentimentos e paixões que despertam um no outro não podem ser ignorados.

A Verdade Sobre Amores e Duques parece fundada na máxima sobre um objeto imparável que colide com algo inamovível.  Alguém na posição de Henry precisa considerar os efeitos colaterais da decisão de sua mãe sobre toda a sua família, enquanto Irene se debate sobre sacrificar tudo o que construiu por amor. Eu me senti empática pelos dois em diferentes estágios de seu relacionamento. No início eu era totalmente team Irene e adorava a forma com que ela se apegava a seus ideias em frente a imperiosidade de Henry. Quando Irene continua mostrando para Henry que a forma com que a sociedade vive precisa mudar, eu me senti empática com Henry porque a estrutura social das classes é tudo o que ele realmente entende. Irene esnoba seu título e sua riqueza, para ela, o que realmente importa é o homem por trás de toda a convenção social. E isso é algo com que ele não está familiarizado.

Essa constante guerra dos sexos torna difícil de acreditar que existe alguma solução para os dois, porque as conversas entre os dois deixam transparecer que eles não se gostam, ou pelo menos, não gostam daquilo do que cada um representa. Mesmo quando pensam que estão próximos de um meio termo, há um abismo que parece que ninguém está pronto para pular e ver o outro lado da discussão.  O meio que eles encontram para satisfazer seus desejos chega muito tarde na história e não resolve os problemas subjacentes em relação a qualquer futuro que eles possam ter juntos. Devido à linha do tempo estabelecida para o namoro de Irene e Henry - apenas 3 semanas - todas as concessões feitas para dar ao leitor seu final feliz, parecem forçadas. Dada a intensidade que a história discute a necessidade de Irene de reverter a convenção, acho que a autora perdeu a oportunidade de dar um final um pouco mais ortodoxo, em  vez de seguir regras a muito já estabelecidas.

A mudança do papel da mulher no final do século XIX é uma fonte de material maravilhosamente rica para fortalecer as heroínas históricas. Com a preponderância das personagens coadjuvantes femininas em A Verdade Sobre Amores e Duques, há muitas maneiras de Guhrke desenvolver a sua série Querida Conselheira Amorosa para mostrar aos seus leitores as mulheres que revolucionaram o nosso passado e que trouxeram para nós a libertação feminina. Estou bem ansiosa para ver mulheres mais capazes encontrando heróis que as complementam em sua luta pela igualdade.



8 comentários:

  1. Esse livro ♥ ♥ ♥ Amo muito Lady Truelove, as ajudar dela, as cartas recebidas e também a força da própria Irene em reerguer o Jornal é muito legal.
    Sem falar que o livro vai além do romance. As discussões politicas abordadas entre os personagens também é bem inteligente!

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  2. Oi, Jéssica
    Sou completamente apaixonada por esse livro. Eu achei a trama extremamente bem escrita e super indico as obras da Laura. Espero que lancem mais dela aqui no Brasil.
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br/

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  3. Oi Jéssica!

    Tudo bem? Eu amo muito romances de época, mas esse nunca chamou a minha atenção, mas depois desta resenha preciso confessar que bateu certa curiosidade a respeito do livro. Essa questão do embate entre os personagens e que talvez eles não goste do que o outro representa é, de fato, muito interessante.

    Amei a resenha
    Beijinhos

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  4. Oi, Jessica!
    Eu não conhecia o livro nem a autora. Acredito que ela não seja das mais conhecidas quando falamos de romance de época.
    Mas achei bem legal a autora trabalhar essa virada de século, pois realmente houve uma mudança significativa na luta das mulheres.
    Muito boa a sua resenha!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2019/09/resenha-fenix-ilha-livro-1.html

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  5. Olá Jéssica!!!
    Eu não conhecia o livro e nem a autora, mas sabe o que é interessante ver que apesar de ser um enredo um tanto conhecido a gente ver essa força da personagem feminina no século em que a história se passa.
    Eu não sei de quem eu seria team, talvez ficasse nessa mesma mudança que você e sabe-se lá mais como rsrsrs
    Adorei a resenha!!!

    lereliterario.blogspot.com

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  6. Oi Jéssica,
    Não sou muito fã de Romances de Época, mas já li alguns títulos desse gênero que gostei bastante. Infelizmente, esse não chamou a minha atenção, apesar de sua ótima resenha. O fato da autora escrever sobre o final do século XIX é um grande diferencial para as suas obras.

    Com amor, André
    Garotos Perdidos

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  7. Adorei a proposta desse livro.
    Confesso que ainda não conhecia, mas depois de ler suas considerações já fiquei bem animada pelo fato da autora trabalhar a virada do século, em relação à luta das mulheres.
    Já vou deixar a dica anotada para comprar assim que tiver a oportunidade.
    Beijos!

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  8. Oi oi querida,
    eu vi esse livro na bienal daqui de recife, e fiquei mega curiosa para saber mais sobre o enredo, porém, após uma lida rápida no Skoob e ler algumas avaliações, fiquei com um pé atrás sobre começar a ler essa obra. Eu adorei a sua opinião e a fora que foi sincera em por os pontos positivos, mas não sei se quero ler mais ele ainda mais nesse momento. Vou ficar com a dica anotada, e esperar uma promo para me arriscar, e ver se gosto ou não.

    Beijoss, Enjoy Books

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Estudante de letras. 28 anos. Bookaholic assumida. Apaixonada por um bom romance. E maluca dos signos.

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